Guia: Primal Blueprint – Parte 2/3

Este post é uma tradução livre do Definitive Guide: The Primal Blueprint, publicado no Mark’s Daily Apple por Mark Sisson. O artigo é um resumo bem geral do Primal Blueprint, e uma ótima introdução ao mesmo.

Esta é a segunda parte, onde se faz uma breve descrição dos comportamentos-chave que permitiram a nossa sobrevivência no período paleolítico.

Caso você tenha perdido, pode ler a primeira parte aqui.


Você já pode ter um bom entendimento de como o genoma humano evoluiu para exatamente onde está hoje (ou 10.000 anos atrás, para ser mais preciso) baseado nos fatores ambientais e comportamentais sob os quais nossos ancestrais viveram através da seleção natural. Dezenas de milhares de antropologistas, biólogos evolucionários, paleontologistas, geneticistas e outros trabalharam por mais de 100 anos para juntar os pedaços numa visão razoavelmente detalhada de todos os elementos que ajudaram a influenciar nosso desenvolvimento como espécie. Ironicamente, porém, quando examinamos todas as inúmeras influências ambientais e comportamentos que moldaram nosso genoma, nós chegamos a uma lista bem simples de coisas gerais que nossos ancestrais fizeram para se tornar o que e quem eles eram e que permitiram que eles passassem 99.9% dos seus genes para nós. Na essência, essa lista é a “Primal Blueprint” original já que ela forneceu o único conjunto de comportamentos que eles conheceram – os exatos comportamentos que permitiram que eles moldassem seus corpos em saudáveis, robustos e felizes seres:

O Primal Blueprint Original – As Regras Para Viver Há 10.000 Anos Atrás:

1. Coma muitos animais, insetos e plantas.

Esta é a descrição básica de tudo o que nossos ancestrais comiam para obter proteína, gorduras, carboidratos, vitaminas, minerais, antioxidantes, phenóis, fibra, água e outros nutrientes necessários para sustentar a vida. Mas era uma lista imensa de alimentos diferentes – alguns antropologistas dizem que podem ter sido 200 ou 300 alimentos para escolher de cada vez dependendo da área geográfica. O resultado era uma “divisão” de gordura, proteína e carboidrato muito diferente do que a Sabedoria Convencional considera ótimo hoje. Essa dieta fornecia todo combustível necessário e elementos para, junto com exercícios específicos, estimular seus genes para criar músculos fortes, permitiu que eles gastassem grande quantidade de energia a cada dia se locomovendo, que eles mantivessem o sistema imunológico saudável, desenvolvessem cérebros maiores e criassem crianças saudáveis. Eles comiam esporadicamente, também. Quando o alimento era abundante, eles comiam mais do que precisavam (e armazenavam o excesso como gordura). Quando o alimento era escasso, eles sobreviviam da gordura armazenada. Este padrão de alimentação aleatório ou “não-linear” mantinha seus corpos em constante estado de prontidão.

2. Mexa-se bastante em um ritmo lento.

Nós sabemos que os nossos ancestrais passavam muitas horas de cada dia se locomovendo no que os fisiologistas do exercício de hoje poderiam descrever como “ritmo aeróbico de baixo nível”. Eles caçavam, coletavam, vagavam, exploravam, migravam, escalavam e se arrastavam. Este baixo nível de atividade estimulava seus genes a criar uma rede capilar (vasos sanguíneos) mais forte para alimentar cada célula muscular, para poder armazenar excesso de alimentos como gordura, mas também para prontamente converte-la de volta para energia. É claro que eles faziam tudo isso sem o benefício das calçadas pavimentadas ou calçados confortáveis. Porque cada passo aterrissava em um ângulo diferente, cada músculo, tendão e ligamento trabalhava e juntos eles se tornavam mais fortes em equilíbrio. Notem que eles NÃO saíam para “trotar” a 80% de sua frequência cardíaca máxima por longos períodos de tempo como a Sabedoria Convencional sugere que façamos hoje.

3. Levante coisas pesadas.

As mulheres carregavam seus bebês na maior parte do tempo (ei, não haviam babás naqueles dias), assim como pilhas de lenha ou o quer quer que elas coletassem ou escavassem. Os homens carregavam pesadas lanças e outras ferramentas, eles arrastavam pesadas carcaças de animais que eles haviam caçado, e moviam grande pedras ou troncos para construir abrigos. Eles também subiam em árvores ou em terrenos mais altos enquanto escapavam do perigo ou exploravam uma nova rota. Os sinais bioquímicos criados por estas breves porém intensas contrações musculares geravam uma pequena onda de hormônio do crescimento e redução da expressão genética da miostatina, estimulando um aumento no tamanho e poder do músculo, particularmente das fibras de contração rápida.

4. Corra bem rápido de vez em quando.

Em um mundo onde o perigo espreitava em cada canto, sua habilidade de correr era um forte indicativo da sua chance de viver o bastante para passar seus genes para a próxima geração. (Nota para o Nietzsche: Aquilo que não matava o Grok o fortalecia). Evitar uma fera atacando para salvar a sua vida, ou perseguir uma fera diferente para o jantar, o efeito ainda era a sobrevivência. A combinação dos eventos hormonais que ocorriam simultaneamente e a expressão genética resultante dentro dos músculos de contração rápida asseguravam que da próxima vez que isso ocorresse, o Grok poderia correr um pouquinho mais rápido.

5. Durma bastante.

Nossos ancestrais dormiam bastante. Mesmo depois da descoberta do fogo, não quer dizer que eles ficavam acordados fazendo festa a noite toda. Do nascer ao pôr do sol era mais seguro se amontoarem juntos e descansar. Longos dias de caçada e coleta e trabalho duro para obter cada pedacinho de comida também requeriam tempo suficiente para o reparo e a recuperação. Estudos de caçadores-coletores modernos sugerem que não eram necessariamente sempre oito ou nove horas ininterruptas também. É provável que eles dormissem juntos como famílias ou pequenas tribos, mantendo uma vigília contra predadores, amamentando os bebês ou apenas cochilando e acordando durante a noite. O hormônio do crescimento e a melatonina eram os hormônios mais envolvidos. É claro que o ocasional cochilo vespertino também estava disponível quando vinha a necessidade, sem culpa sobre o que ele realmente deveria estar fazendo.

6. Brinque.

Assim como nos tempos modernos, nem só de trabalho vivia o homem. Caçadores-coletores de modo geral sempre tiveram mais tempo de lazer que o trabalhador americano de 40h+/semana. Uma vez que a caça do dia havia terminado ou as raízes, plantas, castanhas e frutas haviam sido coletadas, nossos ancestrais passavam horas envolvidos em várias formas de interação social que hoje poderíamos categorizar como “brincadeiras”. Jovens machos perseguiriam uns aos outros e lutariam, buscando conseguir um lugar mais alto na hierarquia social da tribo. Os machos poderiam também praticar o lançamento de lanças – ou de rochas – para aprimorar a pontaria ou perseguir pequenos animais somente por esporte. Jovens fêmeas poderiam passar o tempo cuidando umas das outras. Considerando que brincar era considerado agradável, o efeito era solidificar laços sociais e estimular a liberação de endorfinas (químicas cerebrais do bem-estar) e mitigar qualquer efeito restante de situações de ameaças à vida.

7. Tome um pouco de sol todos os dias.

Os homens das cavernas não eram realmente homens (ou mulheres) que viviam em cavernas o tempo todo. Na maior parte do dia, eles estavam ao ar livre conduzindo suas várias tarefas de sobrevivência. Exposição regular ao sol fornecia grande quantidade de vitamina D, uma vitamina muito importante que eles não poderiam obter facilmente de alimentos e que os seus corpos não eram capazes de fabricar na ausência da exposição direta ao sol.

8. Evite traumatismos.

Nossos ancestrais precisavam de um agudo senso de auto-preservação combinado com um aguçado senso de observação. Sempre observando, cheirando, ouvindo seus arredores, atentos ao perigo, conscientes de qual ação imediata precisaria ser tomada, quer fosse correr de um tigre-dentes-de-sabre, desviar de uma rocha caindo, enganar uma cobra venenosa ou apenas evitar pisar em falso. Lembre-se que que um joelho torcido ou tornozelo quebrado poderia significar a morte de qualquer um que não pudesse correr do perigo. De fato, eram provavelmente os traumatismos (ou um breve e descuidado lapso de julgamento) os responsáveis pela baixa expectativa de vida dos nossos ancestrais, apesar de sua saúde robusta. Evitando traumatismos haveria uma boa chance de se poder viver até os 60 ou 70 anos – e sendo extremamente saudável e em forma. Caçadores-coletores modernos frequentemente mantém a força e a saúde bem depois dos 80.

9. Evite coisas venenosas.

A capacidade do homem de explorar quase todos os cantos do planeta foi em parte devido a sua capacidade de consumir tipos amplamente diferentes de plantas e animais. Mas se mudar para um novo ambiente e provar novos alimentos representava um perigo, já que o novo alimento poderia conter potentes toxinas. Felizmente, nosso fígado e rins evoluíram para lidar com a maioria dos arbustos com plantas novas-mas-levemente-venenosas – ao menos para nos manter vivos caso o estômago não as regurgitassem primeiro. Nossos aguçados sentidos de olfato e paladar também nos ajudavam a separar o bom do ruim. A razão por gostarmos tanto de doce hoje em dia provavelmente é uma resposta evolutiva para uma verdade quase universal do mundo vegetal que quase qualquer coisa com gosto doce é segura para se comer.

10. Use a cabeça.

Obviamente, uma das coisas mais importantes que separa o homem de todos os outros animais é a sua capacidade intelectual. O rápido aumento de tamanho dos nossos cérebros ao longo de apenas algumas milhares de gerações é o resultado combinado de uma dieta rica em gordura, rica em proteína (ver regra #1) e uma contínua dependência do pensamento complexo – estimular o cérebro assim como os músculos. Caçadores-coletores de todo o mundo desenvolveram a fala, ferramentas e métodos de caça superiores independentemente. O fato que alguns não entraram na era industrial não significa que eles não possuem a mesma capacidade de processar informação rapida e eficazmente (tente viver em uma floresta onde você precisa catalogar milhares de diferentes espécies de plantas e animais, sabendo quais podem matá-lo e quais podem sustentá-lo).

É isso.

Esta é a lista completa – ainda que generalizada – de comportamentos que moldaram o nosso genoma atual (Ok, deixei de fora a parte do sexo porque é meio óbvio. Por outro lado, o sexo com o seu parceiro É uma parte natural do Primal Blueprint).

Se há alguma dúvida da sua parte se devemos ou não emular o comportamento dos nossos ancestrais (porém no contexto de um mundo moderno), vamos pelos menos concordar que estamos procurando alcançar alguns benefícios muito similares. Certamente, todos nós queremos ser:

Saudáveis:

Idealmente, nós nunca gostaríamos de ficar doentes. Gostaríamos de estar com a saúde o melhor possível sempre.

Energéticos:

Gostaríamos de ter energia de sobra para fazer todas as coisas divertidas que a vida tem para oferecer e não nos sentir como se estivéssemos nos arrastando em qualquer momento do dia.

Felizes:

Ninguém quer se sentir deprimido ou miserável. Não dá pra viver assim. Queremos uma razão para sair da cama todas as manhãs e enfrentar todos os desafios e oportunidades que esperam por nós.

Magros:

Gostaríamos de estar em um estado metabólico equilibrado onde nós queimamos nosso excesso de gordura, onde encontramos um ponto em que temos gordura armazenada o suficiente para sermos saudáveis, mas raramente (ou nunca) armazenar gordura adicional.

Fortes:

Vamos falar a verdade: queremos músculos que não somente fiquem bem numa roupa de banho, mas que nos sejam úteis, nos permitindo nos mover, brincar, e permanecer equilibrados ao longo do movimento. Isso significa força bem balanceada com músculos proporcionais.

Brilhantes:

Gostaríamos de ter acesso total às nossas faculdades mentais, de ser brilhantes e alertas, criativos, focados quando apropriado, capazes de recordar todas as boa memórias, etc.

Produtivos:

Certamente gostaríamos de contribuir para nós mesmos, nossa família e sociedade.

Nós sabemos através da biologia evolutiva que nossos ancestrais exemplificavam todos os traços acima. Eles podem ou não ter sido suas metas declaradas, mas estes atributos certamente permitiram que eles sobrevivessem aos rigores de um ambiente hostil e chegassem a passar seus traços para a próxima geração, e finalmente, para nós.

Continuar para a parte final…

Esse post foi publicado em Mark's Daily Apple, Primal Blueprint e marcado , . Guardar link permanente.

7 respostas para Guia: Primal Blueprint – Parte 2/3

  1. Pingback: Guia: Primal Blueprint – Parte 3/3 | Vida Primal

  2. Pingback: Paleo na Prática | Vida Primal

  3. Pingback: A Curva de Carboidratos do Primal Blueprint | Vida Primal

  4. Pingback: Corra bem rápido de vez em quando | Vida Primal

  5. Pingback: Jejum Intermitente | Vida Primal

  6. Pingback: Guia: Primal Blueprint – Parte 1/3 | Vida Primal

  7. Pingback: Primal Resources « thoughts…

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s