Guia: Diabetes Tipo 2, Insulina e afins

Eu não conheci o meu avô paterno. Quando eu nasci, ele já havia falecido, a diabetes (não tratada), foi impiedosa com ele nos seus últimos anos de vida. Há muito tempo eu não pensava nisso, até que nos últimos anos apareceram 4 casos de diabetes na minha família, uma prima e três tios, e um deles já toma diariamente sua dose de insulina.

Essa foi uma das razões que me levaram a procurar maneiras de me manter saudável e tentar evitar esse e outros males. Segundo a Wikipedia, já há mais de 240 milhões de pessoas diabéticas no mundo (6% da população mundial), e as projeções são para que esse número chegue a 380 milhões em 15 anos. E o mais triste é que, na maior parte dos casos (tipo 2), é uma doença perfeitamente evitável. Ser um futuro diabético ou não pode depender só das escolhas que você faz hoje.

Hoje deixo vocês com o excelente Guia para Insulina, Açúcar no Sangue e Diabetes Tipo 2 escrito por Mark Sisson.


Imprima esta explicação, cole na sua geladeira, envie pra sua tia. E largue esse macarrão.

Quando você come alguma coisa, o corpo digere os macronutrientes: carboidratos, proteínas – na verdade vários aminoácidos diferentes – e gorduras. (Qualquer coisa que ele não consiga digerir, como álcool ou fibras ou toxinas, ou passa direto ou, se consegue chegar à corrente sanguínea, é filtrado pelo fígado, um órgão monstruoso). Nós medimos estes macronutrientes em gramas e calorias, mas seu corpo opera em termos de combustível. Se você ingere mais combustível do que o seu corpo precisa – o que a maioria faz – o corpo é forçado a guardar este excesso. Esta capacidade de guardar o excesso de combustível foi uma necessidade evolutiva em um mundo que estava em constante estado de “banquete ou fome”, 50.000 anos atrás. Em termos de saúde Primal e nosso mapa de DNA, humanos se tornaram especialistas muito eficientes em armazenamento de combustível e foram capazes de sobreviver os rigores de um ambiente hostil e passar aqueles mesmos genes adiante para você e eu. Muito obrigado, Grok!

Tenha em mente que todo tipo de carboidrato que você come eventualmente é convertido em uma forma simples de açúcar conhecida como glicose, ou diretamente no intestino ou após uma breve visita ao fígado. A verdade é que, todos os pães, massas, cereais, batatas, arroz (me avise quando quiser parar), frutas, sobremesas, doces e refrigerantes que você come ou bebe eventualmente acabam virando glicose. Mesmo glicose sendo um combustível, na verdade ela é bem tóxica em quantidade excessiva a menos que seja queimada dentro das suas células, então o corpo criou uma maneira elegante de tirar rapidamente este excesso da corrente sanguínea e armazená-lo nestas células.

Ele consegue isso fazendo o fígado e os músculos guardarem uma parte do excesso como glicogênio. Esse é o combustível muscular que os exercícios aeróbicos requerem. Células especiais no seu pâncreas, chamadas células beta, detectam a abundância de glicose na corrente sanguínea depois de uma refeição e secretam insulina, um hormônio peptídeo cujo trabalho é permitir que a glicose (e gorduras e aminoácidos) ganhem acesso ao interior das células dos músculos e do fígado.

Mas tem uma coisa: uma vez que estas células estão cheias, como quase sempre estão nas pessoas inativas, o resto da glicose é convertida para gordura. Gordura saturada.

A insulina foi um dos primeiros hormônios a evoluir nas coisas vivas. Virtualmente todos os animais secretam insulina como meio de armazenar o excesso de nutrientes. Faz perfeito sentido que num mundo onde a comida era frequentemente escassa ou não-existente por longos períodos de tempo, nossos corpos se tornassem tão incrivelmente eficientes. Que irônico, porém, que não é a gordura que acaba armazenada como gordura – é o açúcar. E é aqui onde a insensibilidade à insulina e todo este problema de diabetes tipo 2 fica confuso para a maioria das pessoas, incluindo nosso próprio governo.

Se retrocedermos 10.000 anos ou mais, vamos ver que nossos ancestrais tinham muito pouco acesso a açúcares – ou quaisquer carboidratos. Havia algumas frutas aqui e ali, raízes e brotos, mas a maioria do seu combustível em forma de carboidrato estava preso dentro de uma matriz altamente fibrosa. De fato, alguns antropologistas-paleolíticos sugerem que nossos ancestrais consumiam, em média, apenas cerca de 80 gramas de carboidratos por dia. Compare isso aos 350-600 gramas por dia na dieta americana típica de hoje. O restante de suas dietas consistia de vários graus de gordura e proteína. E tão fibrosos (e portanto complexos) quanto eram aqueles alimentos com carboidratos, seu efeito no aumento da insulina era mínimo. De fato, havia tão pouco carboidrato/glicose na dieta dos nossos ancestrais que nós desenvolvemos quatro maneiras de produzir glicose extra nós mesmos e apenas uma maneira de se desfazer do excesso que consumimos.

Hoje quando comemos carboidratos demais, o pâncreas bombeia insulina exatamente como nosso DNA manda ele fazer (viva o pâncreas!), mas se o fígado e as células musculares já estiverem cheios de glicogênio, essas células começam a ficar resistentes ao chamado da insulina. Os “receptores” de insulina na superfície destas células começam a cair em número assim como em eficiência. O termo é chamado “regulação negativa” (down regulation). Já que a glicose não consegue entrar nas células dos músculos ou do fígado, ela permanece na corrente sanguínea. Agora o pâncreas detecta que ainda há muita glicose no sangue, então ele freneticamente bombeia ainda mais insulina, o que faz os receptores de insulina nas superfícies das células ficarem ainda mais resistentes, porque o excesso de insulina também é tóxico! Eventualmente, a insulina ajuda a glicose a conseguir entrar nas suas células de gordura, onde ela é armazenada como gordura. Mais uma vez – porque é bom repetir – não é a gordura que acaba guardada nas suas células de gordura – é o açúcar.

Ao longo do tempo, enquanto continuamos a comer uma dieta alta em carboidratos e nos exercitar menos, o grau de insensibilidade a insulina aumenta. A menos que tomemos medidas drásticas para reduzir o consumo de carboidratos e aumentar o exercício, nós desenvolvemos vários problemas que só pioram com o passar do tempo – e os remédios não resolvem.

Prontos para eles? Vamos lá:

  1. Os níveis de glicose no sangue ficam mais altos por mais tempo porque a glicose não consegue entrar nas células dos músculos. Esta glicose tóxica é como lodo na corrente sanguínea entupindo as artérias, se ligando a proteínas para formar os nocivos AGEs (produtos finais da glicação avançada) e causando inflamação sistêmica. Uma parte deste excesso de glicose contribui com o aumento do triglicérides, aumentando o risco de doenças cardíacas.
  2. Mais açúcar acaba armazenado como gordura. Já que as células musculares estão recebendo menos glicogênio (porque estão resistentes), e já que a insulina inibe a enzima queimadora de gordura lipase, agora você não consegue nem mesmo queimar a gordura armazenada facilmente. Você continua a engordar até as próprias células de gordura se tornarem resistentes.
  3. Ainda fica melhor. Os níveis de insulina permanecem mais altos por mais tempo porque o pâncreas pensa “se um pouco não está funcionando, mais seria melhor”. Errado. A própria insulina é muito tóxica em altos níveis, causando, dentre vários outros malefícios, o acúmulo de placas nas artérias (que é razão dos diabéticos terem tantas doenças cardíacas) e um aumento na proliferação celular em canceres.
  4. Assim como a resistência à insulina evita que o açúcar entre nas células musculares, ela também evita a entrada dos aminoácidos. Então agora você não consegue manter ou criar músculos. Para piorar as coisas, outras partes do seu corpo pensam que não há açúcar suficiente armazenado nas células, então elas enviam sinais para que se inicie o processo de canibalização das células musculares para o fabricação de mais – você adivinhou – açúcar! Você engorda e perde músculos.
  5. Seu nível de energia cai, o que o deixa faminto por mais carboidratos e com menos vontade de se exercitar. Você anseia por mais do veneno que o está matando.
  6. Quando o seu fígado se torna resistente à insulina, ele não consegue converter o hormônio da tireóide T4 no T3, então você fica com aqueles misteriosos e teimosos “problemas de tireóide”, que desaceleram mais o seu metabolismo.
  7. Você pode desenvolver neuropatias (danos aos nervos) e dor nas extremidades, já que os danos do excesso de açúcar destroem tecido nervoso, e você pode desenvolver retinopatia e começar a perder a visão.

Eventualmente, o pâncreas fica tão exausto, que não consegue mais produzir insulina e você acaba tendo que injetar insulina para continuar vivo. Um monte de insulina, já que você está resistente. Parabéns, você foi promovido do diabetes tipo 2 para o diabetes tipo 1.

Essa é a má notícia. E é seriamente má. Mas a boa notícia é que há uma maneira de evitar tudo isso. Está tudo bem aí no mapa do seu DNA. Em primeiro lugar, exercício tem um grande impacto na melhora da sensibilidade à insulina já que os músculos queimam o glicogênio armazenado como combustível durante e após o treino. Músculos que tenham sido exercitados deliberadamente querem aquela glicose para dentro e vão “regular positivamente” os receptores de insulina para agilizar o processo. Esta é uma razão para o exercício ser tão crítico para os diabéticos tipo 2 para recuperar a sensibilidade à insulina. Também é a razão para que os atletas de resistência possam comer 400 ou 600 gramas de carboidratos por dia e continuar magros – eles queimam tudo isso e dão lugar para mais.

Treinos de resistência parecem ser tão efetivos quanto atividade aeróbica, mas uma mistura dos dois é o melhor. E porque você é “sensível à insulina”, você não requer tanta insulina para guardar o excesso, o que “regula positivamente” todas as enzimas que queimam gordura, então você queima a gordura armazenada em um passo muito maior ao longo do dia. Aminoácidos importantes e outros nutrientes vitais tem acesso às células quando a sensibilidade à insulina é alta, então você está criando ou mantendo músculos e perdendo gordura.

Em segundo lugar, cortar os carboidratos, especialmente os óbvios açúcares e coisas refinadas é absolutamente essencial. Faça dos vegetais frescos a base da sua pirâmide alimentar. Eu fico furioso quando eu vejo o nosso governo sugerindo que devamos obter 60% das nossas calorias dos carboidratos. Isso é ridículo, beirando o criminoso. Pense sobre o que é ótimo para a saúde humana de uma perspectiva “primal”. Veja o mapa genético. Veja as estatísticas e estudos se quiser – ou simplesmente observe o que está acontecendo à sua volta em restaurantes, cinemas e cantinas das escolas – e você irá começar a perceber as implicações de uma dieta fora de sintonia com o nosso desenho. A evidência é nada menos do que esmagadora: o consumo de carboidratos do tipo refinado, açucarado é enormemente estressante para o corpo.

Não só os diabéticos devem limitar o consumo de carboidratos – todos devem. Nós todos somos, em um sentido evolutivo, predispostos a nos tornarmos diabéticos.

A opinião corrente principal é, logicamente, parcialmente correta em que o açúcar não necessariamente “causa” diabetes – cada vez mais, evidências científicas mostram que susceptibilidade genética tem um grande papel no potencial individual para o desenvolvimento da diabetes. Bem, não brinca! O argumento inteiro da corrente principal se resume a isso: açúcar não causa diabetes; é genético. Eu não poderia estar mais de acordo. Eu diria apenas que nossa susceptibilidade genética à resistência à insulina, inflamação, doença cardiovascular e obesidade mostra que qualquer tipo de açúcar ou grão refinado é a última coisa que os humanos deveriam estar comendo. Nosso “mapa genético” indica que nós não fomos feitos para consumir açúcar.

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3 respostas para Guia: Diabetes Tipo 2, Insulina e afins

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