Margarina não é comida

Ingredientes: Óleos vegetais (parcialmente hidrogenados ou interesterificados), água, sal, proteína do soro de leite, lecitina de soja, mono e diglicerídeos vegetais, sorbato de potássio (conservante), ácido cítrico, estabilizantes, aromatizantes, vitaminas, beta caroteno (como corante). Pode conter: leite, soja.

Em 1869, o Imperador Napoleão III, da França, ofereceu uma recompensa para quem conseguisse criar um substituto satisfatório para a manteiga, que pudesse ser usado por seu exército. Laciticínios geralmente ficavam em falta em tempos de guerra. O químico francês Hippolyte Mège-Mouriès inventou uma substância que ele chamou de oleomargarina, que depois foi reduzido para a marca “margarina”. Mège-Mouriès patenteou o conceito, mas em 1871 ele vendeu a patente para uma companhia alemã que hoje faz parte da Unilever.

Comida vem dos fazendeiros e caçadores. Não dos químicos.

Então, como um químico faz algo que se pareça e tenha gosto de comida? Gorduras sólidas podem ser manufaturadas a partir de óleos vegetais, passando hidrogênio através do óleo na presença de um metal catalizador (geralmente nickel, mas as vezes usam até paládio). A adição do hidrogênio aos elos insaturados do óleo os torna saturados, aumentando o ponto de derretimento do óleo e, portanto, endurecendo-o.

O único metal que deveria ser necessário para fazer comida deveria ser o da sua panela.

Já que todo mundo tem medo das gorduras saturadas (sem motivo algum), o processo é controlado para que apenas a quantidade de óleo necessária para dar a consistência desejada seja hidrogenado. Então você fica com gordura vegetal parcialmente hidrogenada, junto com alguma gordura trans, que comprovadamente causam danos à saúde.

Ah, mas as margarinas modernas não tem mais gorduras parcialmente hidrogenadas e trans, agora as gorduras são interesterificadas.

Taí um bom uso para a margarina!

A interesterificação (tente digitar isso depressa sem errar) é um típico caso de emenda que saiu pior que o soneto. Ela é um processo industrial para realizar a combinação de óleos vegetais totalmente hidrogenados (completamente sólidos) com óleos vegetais líquidos para atingir a consistência adequada. O processo é feito em altas temperaturas e requer o uso de potentes solventes químicos industriais, que depois precisam ser removidos do produto final (neutralização). As últimas etapas do processo são o alvejamento e desodorisação do produto, o que ainda pode introduzir gorduras trans no produto final.

Um estudo feito com gorduras interesterificadas mostrou que, além de causarem efeitos similares ao das gorduras trans, elas ainda causam um aumento ainda maior do nível de açúcar no sangue.

Vamos trocar uma gordura que esteve na dieta humana por milhares de anos por uma feita em um laboratório químico. Muito esperto!

Nos Estados Unidos, em 1930 uma pessoa comum consumia em média 9 quilos de manteiga por ano e um pouco menos de 1 quilo de margarina. No fim do século 20, o americano médio comia 2.5 quilos de manteiga e quase 4 quilos de margarina. Bela inversão! Sem dúvida, muitas destas pessoas fizeram a troca para reduzir o risco de doenças cardíacas.

Mas não parece estar funcionando!

Como eu sei que manteiga é comida de verdade (ao contrário da margarina)? A manteiga tem apenas um ingrediente: creme de leite.

Para saber mais:

Cremosa e Perigosa – Como a Margarina Pode Prejudicar a Sua Saúde – Medicina do Estilo de Vida

A interesterificação – Uma outra visão

Este post é baseado em Margarine Is Not Food, do Naturally Engineered.

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7 respostas para Margarina não é comida

  1. Pingback: Tipos de Gorduras | Vida Primal

  2. Victor disse:

    Que babaquice. O que é natural não é necessariamente saudável, nem o contrário é verdade. Nos dias de hoje nem fruta cresce naturalmente, quanto mais qualquer comida que venha numa caixa.

    Pela sua lógica, guerra à pausterização, já que qualquer processo químico envolvido com comida é necessariamente danoso.

  3. Pingback: Mitos e Verdades Sobre Nutrição e Saúde | Vida Primal

  4. Pingback: Revertendo a Esclerose Múltipla com a Dieta | Vida Primal

  5. dani disse:

    É estranho como as pessoas ficam furiosas com certas verdades…rsss.. É obvio que margarina não é comida, assim como o aspartame, mas quem consome isto geralmente não quer ouvir a verdade. A manteiga e o açucar natural precisam ser consumidos com moderação, mas pelo menos é feito com somente 1 ingrediente. Formigas, ratos, mosquitos e fungos nem passam perto da margarina e do aspartame. faça o teste.

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