Um ano de Primal Blueprint

Esta semana completo um ano desde que decidi experimentar o primal blueprint por um mês para ver o que acontecia. Esse um mês acabou virando três, que acabou virando meu novo estilo de vida por tempo indeterminado.🙂

Acredito que foi um ano muito satisfatório (no que diz respeito à saúde e mudanças de hábitos pelo menos), então vou expandir um pouco a história do meu post inaugural para vocês. Preparem-se porque este post ficou longo.🙂

Acho que eu nunca fui muito preocupado com minha saúde (que jovem é?). Nunca gostei de nada verde no meu prato. A partir da adolescência fiquei completamente sedentário e, devido à minha alergia, eu preferia sair na chuva a sair no sol. Meus pratos favoritos e mais frequentes eram arroz, feijão e alguma carne com batatas-fritas, ou pizzas, sanduíches ou massas. Sempre acompanhados com o líquido negro e borbulhante em abundância e uma sobremesa para finalizar. Meus “esportes” favoritos eram fuçar no computador, jogar videogame e assistir TV.

Apesar disso nunca tive problemas sérios de saúde, além das dores na coluna, da alergia, e de uma arritmia cardíaca ocasional (mas nada demais). Sempre fiz exames de sangue anualmente e os números em geral ficavam dentro da normalidade, exceto pela glicose no sangue em jejum, que as vezes ultrapassava um pouco os limites da “normalidade”.

Ao longo dos anos, com o sedentarismo e a minha dieta, fui acumulando uns quilos a mais aqui e ali, sem me preocupar muito no começo, até que eventualmente isso começou a me incomodar. Depois de uma crise de lombalgia, o médico recomendou mais uma vez que eu começasse algum programa de exercícios. Resolvi então me inscrever em uma academia, porque não queria ter outra crise daquelas. Aproveitei para tentar começar a comer um pouco melhor, de acordo com o que eu via por aí à respeito de alimentação saudável.

Comecei então o programa de musculação, usando vários aparelhos diferentes que trabalhavam cada músculo isoladamente, e as dores na coluna foram melhorando e ficando cada vez menos frequentes.

Quanto à alimentação, comecei a comer mais cereais no café da manhã, incluindo pães integrais com vários tipos de grãos e granola com leite desnatado. Cortei os pães brancos simples, bolachas recheadas (ou biscoitos, dependendo de onde você for :P), e substituí o arroz branco por arroz integral, carnes gordurosas por carnes magras, sanduíches do McDonald’s por sanduíches do Subway, e comecei a comer um pouquinho de legumes, mas quase nada verde no meu prato ainda, exceto pelas raras vezes que eu pedia uma salada caesar no restaurante. Também troquei os refrigerantes por sucos de frutas ou chás, e dei uma diminuída nas sobremesas. Na verdade tentei cortar as sobremesas, mas a compulsão por comer algo doce depois da refeições foi mais forte, não teve jeito.

Depois de tudo isso devo ter começado a perder peso, certo? Bem, na verdade o peso deu uma estabilizada por um tempo, mas depois voltou a aumentar. O ganho pode ter sido em parte pela musculação, mas mesmo depois de alguns meses eu não tinha conseguido nenhum resultado esperado. Então fiz o que qualquer pessoa dedicada faria, me esforcei mais.

Aumentei a frequência na academia; comecei a correr na esteira por 1h, duas a três vezes por semana, somadas às três horas de musculação semanais; continuei com a alimentação “saudável”, mas diminuí as porções; comecei a comer barrinhas de cereais à tarde, para enganar a fome e seguir o conselho de “comer de 3 em 3 horas”.

O resultado? Passei a gastar menos no almoço, e a conseguir correr 5km sem parar. \o/ Mas foi só.

Lembro de nessa época ter visitado o meu dentista, com dor de dente, e dele falando que com a idade é normal você ir engordando e ficando com a bochechas mais “cheias” e ter alguns problemas por causa disso.

Foi aí que comecei a pensar, como isso pode ser normal? Estamos todos fadados a ficar mais “cheinhos” com o passar do tempo? É uma consequência da idade? Você vai ficando “cheinho”, depois com artrite, colesterol alto, diabetes e demência? Alguma coisa deve estar errada.

Healthy living: I was doing it wrong!!!

Comecei então a ficar mais atento a esses temas. Por sorte tenho um amigo que começou a se preocupar com isso bem antes de mim, apesar de não ter muito contato com ele, sabia que a muitos anos atrás ele havia se tornado vegetariano e uma vez me falou dos benefícios que isso tinha trazido pra ele. Mas se a única solução fosse virar vegetariano, acho que eu iria ter que me conformar e continuar como estava, porque seria radical demais pra mim. Por sorte, ele recentemente havia deixado essa fase infeliz para trás e estava compartilhando alguns links com artigos sobre biologia evolutiva, dietas dos homens da cavernas, e umas idéia bem diferentes do que diz a sabedoria convencional.

Comecei a ler alguns desses links por curiosidade (vejam os Links Recomendados na coluna da direita), e muita coisa, apesar de contra-intuitiva, parecia fazer sentido. Então numa das minhas encomendas da Amazon, resolvi comprar o livro Primal Blueprint pra ver mais a fundo do que se tratava.

Li o livro inteiro rapidamente, e apesar de um certo ceticismo principalmente no que dizia respeito à dieta, resolvi fazer uma experiência por um mês, afinal que mal poderia fazer em apenas um mês?

Então de um dia para o outro meu café da manhã passou a ser alguma fruta, ou então um belo omelete com queijo (feito na manteiga), passei a não comer nada que contivesse grãos ou açúcar, a beber apenas água com as refeições, a comer muitas frutas, vegetais (até coisas verdes) e carnes (e peixe e frango), incluindo bacon e pele de frango, fiz um mix de castanhas e nozes pra quando desse fome, troquei longas sessões na academia por treinos curtos e intensos, usando pesos livres e movimentos que trabalham vários grupos musculares juntos, passei a andar mais, pedalar e a tomar mais sol.

Nas duas primeiras semanas eu sofri um pouco, tudo que me dava vontade de comer eu não podia, e mesmo comendo bastante do que podia, eu sentia uma fome terrível. Também me sentia meio fraco e lento, mas eu sabia que algo assim poderia acontecer, porque, segundo o livro, meu corpo demoraria alguns dias para se adaptar a usar a gordura como principal fonte de energia ao invés dos carboidratos, que foram a fonte principal por anos, então eu estava determinado a esperar e continuar com o programa até completar o mês.

Por isso eu sempre digo pra quem quiser experimentar uma dieta Primal/Paleo para que persistam por no mínimo um mês, senão vão desistir logo nos primeiros dias por não se sentirem bem.

A partir da terceira semana, a fome constante passou, comecei a me sentir mais alerta e com mais energia, tão bem ou até melhor que antes. Aos poucos passei a sentir menos fome do que antes, naturalmente comendo menos, e sem ficar com fome depois. As compulsões por doce diminuíram muito, eu já podia ver um pedaço de pão ou um doce na minha frente sem querer pular em cima. Também não me sentia mais sonolento depois do almoço, mesmo quando comia muito.

No final deste mês de teste, eu estava com 5kg a menos e me sentindo muito bem, então resolvi continuar por mais 2 meses, ao fim dos quais eu faria meus exames anuais para ver se por dentro tudo estava tão bem quanto por fora.

Nestes meses seguintes, eu comecei a dar uma pequena relaxada nos finais de semana, afinal, a sogra ou qualquer outro anfitrião não eram obrigados a mudar o cardápio por minha causa e seria indelicado da minha parte dizer que não queria comer nada, não é?🙂

Aliás também aprendi com o livro que se me mantiver na linha por pelo menos 80% do tempo, os outros 20% não vão estragar os resultados conseguidos, então nessas ocasiões eu não me preocupava muito nem me sentia culpado depois.

Passados os 2 meses, eu havia perdido mais 5kg (10kg no total em três meses) sem passar fome nem contar calorias, continuava me sentindo bem, e já estava bem adaptado aos novos hábitos. Fiz meus exames, vi que meu colesterol total havia subido, o que me deixou meio apreensivo, mas depois de pesquisar mais sobre o assunto, vi que não havia com o que eu me preocupar, meu HDL e LDL haviam aumentado, e o triglicérides havia diminuído, o que era uma boa coisa. Decidi então, que era seguro continuar com estes novos hábitos, e esta semana completo um ano desde que comecei.

Desde então perdi mais alguns quilos (comecei com 81kg, hoje estou com 67kg), continuo com ótimos resultados nos exames, não tive mais dores na coluna, nunca mais tive azia (que eu costumava ter pelo menos uma vez por semana), me livrei da alergia ao calor, e continuo me sentindo muito bem. Outra coisa que mudou foi a minha tolerância ao jejum. Antes, ficar sem almoçar era, literalmente, uma dor de cabeça algumas horas depois. Hoje não, apesar de ficar com fome, logo eu esqueço dela e não sinto nenhuma dor de cabeça ou fraqueza. Passei a treinar na academia em jejum, porque não acordo com fome, e nunca tive nenhum problema, mesmo com treinos de intensidade alta.

Pretendo continuar vivendo uma vida primal indefinidamente, pelo menos enquanto eu enxergar algum benefício nela. Ainda há coisas para melhorar no meu dia a dia, e eu ainda “trapaceio” mais do que deveria, mas acredito ter dado passos importantes para uma vida mais saudável e com menos sofrimento agora e no futuro. Só espero também conseguir abrir os olhos de outras pessoas para a possibilidade de mudar seus hábitos para viver melhor. Não é difícil, basta ter motivação o suficiente, ter força de vontade, se informar e fazer escolhas conscientes.

Seguem algumas fotos da transformação, e junto alguns gráficos com minhas medidas e exames, por preguiça de procurar uma maneira fácil pra separar e deixar bonitinho.🙂

Ao ver os gráficos, tenha em mente que eu comecei com os novos hábitos na semana do dia 15/05/2010.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Infelizmente, minha academia não mede o percentual de gordura nas avaliações.😦

E você? Tem alguma experiência parecida pra compartilhar? Eu quero saber.

Esse post foi publicado em Alimentação, Experiências pessoais, Primal Blueprint, Saúde e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

10 respostas para Um ano de Primal Blueprint

  1. Carolina disse:

    Oi Thiago, tudo bom?
    olha eu aqui no seu blog! rs..
    Então, eu li sobre a vida primal e o que você segue…
    Bom, ano passado eu conheci uma nutricionista e gostei bastante da dieta que ela me passou. Eu tbm acho um saco contar calorias, mas pra quem quer perder peso é muito importante saber o quanto se pode comer. Uma coisa é uma pessoa que passa o dia na frente do computador e outra que trabalha como pedreiro. Ambos querem emagrecer e a quantidade dos alimentos vai ser crucial.
    Basicamente, o que você segue (eu li os passos), está de acordo com o devemos fazer para ter mais qualidade de vida. Mas não tem como “dar certo” pra todo mundo. Veja meu caso:
    – Eu pego 4 conduções para chegar ao meu trabalho. Depois mais 4 pra voltar pra casa. Em media são umas 4 horas de transito, todo dia. Que horas eu vou fazer academia?
    abs
    Carol

    • Oi Carol, tudo bem? Seja bem vinda.🙂

      Na minha opinião, mais importante que saber o quanto se pode comer, é saber: 1)o que se pode comer (ou melhor, o que se deve evitar) e 2) “ouvir” o seu corpo para saber quando e quanto comer. Nada de se forçar a beber 2 litros de água por dia ou comer de 3 em 3 horas, e sim beber quando sentir sede e comer quando sentir fome (fome de verdade, não compulsão), até estar saciado. Uma pessoa sedentária vai sentir menos fome que um pedreiro, e (idealmente) vai se saciar com menos comida. O problema é que o tipo de comida que você come faz uma grande diferença no tempo em que você vai permanecer saciada.

      Sobre a academia, ou os exercícios, na verdade eu acho que, apesar de ajudar e ter inúmeros outros benefícios, ela não é necessária para a perda de peso. Acho que a reeducação alimentar pode te levar bem longe sem precisar aumentar em nada a atividade física. Não precisa se preocupar em ingerir menos calorias do que gasta ou coisas do tipo. Faça um teste, apenas seguindo os três primeiros passos do paleo na prática e veja o que acha.

      Um abraço e volte sempre.🙂

      PS: 4 horas de trânsito por dia? Que dureza…😦

  2. Pingback: Corra bem rápido de vez em quando | Vida Primal

  3. Elder Braga disse:

    Thiago, estou tendo uma experiência parecida. Há cerca de 5 anos, estava um porco de gordo. Comecei a tentar correr para resolver o problema e o resultado veio rápido: tive de operar o menisco. Recuperado, resolvi começar a fazer musculação e perder peso. Perdi muito pouco peso, mas comecei a patinar (menos impacto, não?) e, pouco depois,outro menisco a ser operado…
    Segundo meu médico, provavelmente, os dois já deveriam estar bem lesionados pelo excesso de peso e esforço continuado com sobrecarga… Pior, minha articulação do jelho esquerdo (o primeiro que operei) já estava sem cartilagem, ou seja, artrose aos 45 anos…
    Comecei um programa de reabilitação cuidadoso. Primeiro, musculação e natação. Nesse meio tempo, descobri que estava com esteatose, ou seja, gordura no fígado e uma pedra na vesícula. Li muito sobre o assunto e vi que havia muitas pesquisas relacionando os dois problemas e mesmo a minha artrose, com o consumo excessivo de carbohidratos e allimentos com índice glicêmico elevados em geral.
    Cortei todos os açúcares e quase todos os grãos. A excessão: uma pizza por semana. Cortei o álcool a quase zero. Comecei a perder barriga rapidamente. Aproveitei e entrei no aikido. As coisas melhoraram ainda mais.
    A pedra na vesícula, porém não me deu paz. Acabei tendo de operar.
    Quando estava me recuperando, acabei engordando um pouco. Nesse tempo, no final do ano passado, li sobre a alimentação primal. Comecei a ler tudo a respeito, pois de certo modo era quase o que eu estava fazendo. Como você, resolvi experimentar e minha saúde, para minha surpresa (aquela história dos grãos não havia me convencido muito) começou a melhorar muito. As dores no joelho esquerdo quase que pararam. A rinite que me acompanhava há anos quase sumiu. A pele melhorou… O mais louco? Com 49 anos comecei a ganhar músculos quase sem fazer nada! Falo pra minha esposa que faço musculação visual: olho para o peso e o braço engrossa…
    Ainda estou experimentando, mas há algo de realmente muito errado no chamado conhecimento tradicional em matéria de nutrição…

  4. Marcelo Boz disse:

    Há uma tese que nossos antepassados comiam muita carne crua, quando ainda não conheciam o fogo.
    Mesmo depois de usar o fogo ao cozimento dos alimentos só veio muito tempo depois.
    Tenho acompanhado Aajonus Vonderplanitz, um dos maiores preconizadores do consumo de carne crua.
    http://www.wewant2live.com
    As vezes paro num shushibar e como uns filés de salmão crus. Não é tão mal.
    Na dieta dele não se usa sal. Ele considera o sal muito danoso para o ser humano.
    Na Pelodiet usa-se sal nas receitas?

    • Oi Marcelo, obrigado pelo comentário. Não conheço esta dieta, mas vou dar uma olhada. Sobre o sal, pelo que tenho lido parece que há um certo exagero sobre seus supostos malefícios, sobretudo em sua influência sobre a pressão arterial. Claro que em excesso realmente não deve ser bom, mas não sei se há razão pra tanto medo dele. Vou ver se escrevo um post sobre isso.

  5. Pingback: História de Sucesso: Vida Primal

  6. Hilton Sousa disse:

    Achei o seu blog hoje, por acaso, e vi muitas semelhanças entre nós: também sou cientista da computação, também estava com mais quilos do que desejava, e também enveredei pelo Primal Blueprint… No final de fevereiro, completarei 1 ano na caminhada. 15kg a menos (de quase 77 para quase 62), percentual de gordura mais baixo (de 27 para13% – e caindo).

    Há 4 meses, me dedico a traduzir matérias selecionadas do Sisson, Chris Kresser, Robb Wolf e outros: http://www.paleodiario.com

    Devagar e pelo exemplo, vamos mudando a cabeça de quem está à nossa volta….

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s