Em Defesa da Dieta Paleo

Fonte: In Defense of the Paleo Diet, Chris Kresser

Os críticos da mais popular nova dieta Americana não estão totalmente errados, mas veja de perto as suas três maiores críticas e você verá por que ainda assim você deveria experimentar uma dieta paleo, diz Chris Kresser, autor do livro Your Personal Paleo Code (Seu Código Paleo Pessoal).

A dieta Paleo explodiu em popularidade nos últimos anos. Não é incomum ver um livro Paleo na lista de bestsellers do New York Times, e que agora você já tenha ouvido falar dela, conhece alguém que está fazendo, ou talvez esteja fazendo você mesmo. Mas, enquanto a dieta Paleo ganhou rapidamente um ponto de apoio na consciência do público, também tem sido criticada nos meios de comunicação. Eu irei destacar abaixo três das críticas mais comuns e explicarei por que elas não invalidam a premissa fundamental da abordagem Paleo.

O que dizem os críticos:

“A evolução humana não parou no Paleolítico, então não há nenhuma razão para que devamos seguir uma dieta Paleo.”

O que a ciência diz:

É verdade que a evolução não parou no Paleolítico. Na verdade, alguns cientistas têm argumentado que ela está ocorrendo a uma taxa 100 vezes mais rápida do que a média ao longo de seis milhões de anos de evolução dos hominídeos, e que tanto quanto dez por cento do genoma humano mostra evidências de seleção genética recente. Essas mudanças afetam a tolerância a alguns alimentos agrícolas. Por exemplo, embora os seres humanos só fossem capaz de digerir a lactose, o açúcar do leite, durante a infância, há 8000 anos uma mutação genética surgiu que lhes permitiu digeri-lo na idade adulta.

Mas é importante notar que estas mudanças genéticas são relativamente simples e cruas, e elas afetam apenas algumas pessoas. Dois terços da população ainda não consegue digerir lactose como adultos, e quase uma em cada dez pessoas são intolerantes ao glúten, uma proteína do trigo e outros grãos. Alimentos agrícolas como grãos e laticínios ainda são muito mais propensos a causar problemas para as pessoas do que os alimentos paleolíticos que temos comido por centenas de milhares de gerações. Quando foi a última vez que você ouviu falar de alguém com intolerância a batata doce, brócolis ou mirtilo?

Em meu livro, Your Personal Paleo Code, defendo que a dieta Paleo deve ser usado como um ponto de partida, pois remove os alimentos que as pessoas têm mais probabilidade de reagir. De lá, você pode reintroduzir alguns dos alimentos da “zona cinzenta” como laticínios e grãos para ver se você os tolera.

O que dizem os críticos :

“A dieta Paleo é perigosa porque permite a carne vermelha, que entope nossas artérias e encurta nossa expectativa de vida.”

O que a ciência diz:

Os primeiros estudos realmente pareciam sugerir que comer carne vermelha aumentaria o risco de doenças cardíacas e câncer. No entanto, esses estudos foram problemáticos por causa de algo chamado de “viés de usuário saudável”. Esta é uma maneira elegante de dizer que as pessoas que se envolvem em comportamentos percebidos como insalubres (sejam ou não) são mais propensas a se envolver em outros comportamentos não saudáveis. Em estudos que associam o consumo de carne vermelha a doenças cardíacas e câncer, aqueles que comem mais carne vermelha também tendem a se exercitar menos, fumar mais, comer menos legumes e comer mais açúcar e alimentos processados. Como podemos determinar se é o aumento da ingestão de carne vermelha ou de todos estes outros fatores que estão contribuindo para a doença ?

Uma maneira é reduzir a influência desses fatores. Estudos mais recentes de maior qualidade têm tentado fazer isso, e eles não encontraram nenhuma associação entre o consumo de carne vermelha e as doenças cardíacas ou câncer. Por exemplo, um estudo enorme, com mais de 1,2 milhões de participantes não encontrou nenhuma relação entre a ingestão de carne vermelha fresca (não processada) e doenças cardíacas. Outro estudo na prestigiosa revista Obesity Reviews não encontrou nenhuma evidência para apoiar uma ligação entre carne vermelha e câncer colorretal. Finalmente, um estudo em vegetarianos e onívoros que compram em lojas de alimentos saudáveis ​​não encontrou diferenças na expectativa de vida entre os dois grupos.

O que dizem os críticos:

“Não há nenhuma evidência para apoiar a dieta Paleo.”

O que a ciência diz:

Há, de fato, várias linhas de evidência que suportam uma dieta e estilo de vida Paleo:

• Evidência arqueológica. Ao estudar restos fósseis, os arqueólogos determinaram que houve um declínio significativo na saúde quando nossos ancestrais caçadores-coletores fizeram a transição para uma dieta e estilo de vida agrícolas.

• Evidência antropológica. Estudos antropológicos das culturas de caçadores-coletores contemporâneos indicam que eles eram extremamente magros e em forma, superiores a nós em quase todas as medidas de saúde e fitness, e praticamente livre de doenças crônicas e inflamatórias, que são tão comuns hoje em dia. Quando essas culturas adotam uma dieta e estilo de vida modernos, eles desenvolvem essas doenças em taxas similares às populações industrializadas.

• Evidência bioquímica. Estudos sobre o teor de nutrientes de alimentos comuns sugerem que a dieta Paleo é uma dieta extremamente densa em nutrientes. Isto é importante porque a administração sub-ótima de qualquer um dos 40 nutrientes que o corpo necessita para funcionar vai contribuir para doenças e encurtar a vida.

• A evidência clínica. Já existem vários estudos clínicos sobre a dieta Paleo com resultados promissores, incluindo mudanças positivas em peso, circunferência da cintura, na proteína C-reativa (um marcador de inflamação), no açúcar no sangue, pressão arterial, sensibilidade à insulina e marcadores de lipídios como o colesterol LDL, triglicérides e HDL.

Como você pode ver, apesar de eu concordar com algumas partes das críticas à dieta Paleo, elas não invalidam o conceito básico por trás da abordagem: a de que não houve tempo suficiente para os seres humanos se adaptarem totalmente à dieta e estilo de vida industriais modernos que estamos seguindo hoje, e que nossa saúde está sofrendo como resultado. Felizmente, o fato de que a dieta Paleo foi a mais pesquisada no Google em 2013 sugere que as pessoas não estão levando os críticos a sério demais, e eles são mais propensos a confiar nos resultados dramáticos que seus amigos ou membros da família sofreram do que o que lêem nos jornais ou revistas ou assistem na TV.

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9 respostas para Em Defesa da Dieta Paleo

  1. André Prudente disse:

    Que legal! Você voltou a postar!

  2. Alex disse:

    Oi, conheci seu blog hoje fazendo algumas pesquisas sobre o assunto para passar links para uma prima, faço páleo a 4 meses e já mandei 23 quilos embora, mas estou meio estacionado a algumas semanas, e não sei o que fazer, vou tentar o jejum intermitente, seu post foi bem esclarecedor, sempre pensei em fazer mas nunca tinha entendido exatamente! Muito obrigado pelo esclarecimento, já virei fã do seu blog! Um abraço!

  3. Alex disse:

    Oi Thiago, não quero ficar te alugando, mas o que é uma série de sprints? Estou meio chateado por ter estacionado, então fiquei interessado em saber o que é! Muito obrigado! Um abraço!

  4. Tatiana disse:

    Thiago, gostei muito do teu artigo. Estou reapredendo esse estilo de vida, passei uma temporada sem comer direito, e o resultdo foram 7 kg a mais, e muitas roupas perdidas…
    Te anima para postar mais!
    Abraços

    • Obrigado pelo comentário Tatiana. Hoje em dia, ao contrário de quando comecei o blog, há muita informação em português na internet, então não sinto mais tanta urgência em compartilhar essas informações, mas vou pensar em algumas coisas pra tentar postar. Aceito sugestões.🙂

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